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Caça ao tesouro

por Malagueta Man, em 16.08.14

 

 

Caça ao tesouro...


Após muitas horas e N de Km, descobri um grande tesouro em vias de extinção... não fosse encontrar em Olho Marinho (Vila Nova de Poiares) o grande artesão Sr António Freitas, um jovem com 80 anos, não encontraria o que perseguia à algum tempo... um magnifico naípe de louça de barro preto... agora vou-me refugiar no laboratório e ensaiar comida tradicional Portuguesa no forno...

 

São pretos!
Não há registos concretos sobre a origem da produção dos barros pretos no concelho de Vila Nova de Poiares. Sabemos que existiam vários “Centros Produtores” em particular o do Olho Marinho. Este na realidade é o mais conhecido, foi este “Centro Produtor” que sobrevivendo até aos nossos dias perpetuou esta actividade.
As argilas (barros), eram e são, extraídas na região de Olho Marinho e Alveite Grande no concelho de Vila Nova de Poiares este era conhecido por “barro solto”. O “barro forte”, com mais “goma”, provinha da localidade da Chapinheira, concelho de Arganil. Estes “barros” depois de recolhidos eram misturados e amassados numa roda accionada com o pé (hoje porém existem maquinas que ajudam a fazer a mistura).
O último artesão desta antiga geração, explicou-nos o processo. O barro é amassado e dividido em pequenos pedaços, a que se dá o nome de “pelas” e só depois é trabalhado na roda. Centra-se, então, o barro, junta-se bastante água, para que esteja sempre húmido e maleável, e trabalha-se esta matéria prima moldando-a com as mãos.
O oleiro vai dando uma forma à peça, alisa-a ainda na roda com a “cana”, pequena peça lisa de metal, ou com uma pedra (um seixo liso). Alguns destes utensílios (seixos) estão na posse das famílias dos artesãos à décadas (como o caso da do Senhor Silvino). 
A peça é retirada da roda e utilizado um garrote, instrumento feito com um fio de nylon, que serve para cortar o barro. ... O próximo passo é o rebarbamento da peça, que consiste em retirar os pequenos excedentes de barro que ficam depois da peça ser retirada da roda, utilizando-se para tal uma pequena navalha.
Após esta fase da execução da peça, o trabalho é deixado a secar à sombra de um dia para o outro para que não venha a estalar.
Depois são feitos os desenhos, já que o barro ainda se encontra mole. Nesta fase é usado um pico ou diversos instrumentos chamados “teks”, que possibilitam desenhar várias formas nas peças (o Senhor Silvino por várias vezes mostrou-nos utensílios, muitos dos quais ele mesmo elaborou).
Depois dos desenhos nas peças, estas vão a secar ao sol, para, então serem cozidas no forno. O barro preto deve a sua cor à fase final da sua cozedura, que faz com que o negro do fumo penetre nos poros da louça imprimindo ao barro o tom negro metálico que é inconfundível.
E como se processa? O forno é abafado (selado), tanto em baixo onde se põe a lenha, como em cima onde a louça está a cozer. Deve ficar abafado pelo menos 12 horas.
Antigamente a louça era cozida num cova feita na terra e só a partir de 1952 se iniciou a cozedura em fornos construídos para o efeito (passou-se do processo da Soenga para o Forno Vertical).
O Senhor Silvino, contou que no Concelho de Vila Nova de Poiares, passou-se para os fornos verticais em meados do século passado. Outros locais eram produtores de barros negros como Alveite Grande, Alveite Pequeno (Serpins), Carapinheira (Arganil), Forcado e outras povoações limítrofes do Concelho (nomeadamente Lousã e Arganil). 
As peças realizadas são variadas e assumem formas de caçoilos, onde é servida a tão famosa Chanfana, assadeiras, potes, cântaros, púcaros, bilhas e outros objectos como galheteiros, assadores de castanhas, mas geralmente objectos utilitários.

(fonte : Aboreira scriptorium - Pedro Santos)

 

Malagueta Man

 

 

 

 

 

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Miguel Oliveira

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